quarta-feira, 22 de julho de 2009

Preciso...

...de menos vergonha, de mais chá, de menos tosse.
Descansar pra curar da gripe, não me estressar quando algo dá errado.
Lembrar de comprar ingressos antecipados para o cinema nas férias, dormir mais no fim-de-semana pra não sofrer durante os outros dias.
Novos amigos, companhia pro almoço, menos timidez.
Preciso de adaptação!

Incrível como surgem necessidades todos os dias.
Nenhum dia é normal.

Quero meu nariz e minha garganta de volta.
Preciso de saúde.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Tudo é poder

Vinha há um tempo trabalhando com política e com políticos. Não desgostei, mas não tenho mais muita paciência.
Tudo gira em torno do poder, não importa o valor ou de onde venha. Pior! Não importa pra que esse poder sirva.
Ter nas mãos a decisão, o sim ou o não, a determinação, contamina.

Gosto de política no significado do termo, de ciência de governo, de chegar a resultados desejados. Mas a verdade é que se usa política para chegar ao que se quer particularmente. As questões se tornam pessoais demais e se perdem no sentido.
"Como chegamos até aqui mesmo?"

Então, eu estava saindo de casa, arrumada para meu primeiro dia de estágio em uma nova empresa. Adorei o cordão do crachá, queria mesmo ter um. O poder do nome se apresenta de todas as maneiras e eu me sinto mais confiante por estar aqui.
Todos esses pensamentos me consumiram uma noite de sono, onde eu só consegui tossir e olhar para o celular, esperando que despertasse.
No caminho para Porto Alegre (porque eu nunca trabalho em Canoas), ouvi que havia uma manifestação na frente da casa da Governadora, organizada por professores e apoiadores da causa do Cpers.

Não julgo, aqui, as razões que levam ao protesto. Tem muita coisa errada acontecendo mesmo. Acredito nisso porque vejo. Mas será que os fins, realmente, justificam os meios?
Confesso que detestaria ver minha rua interrompida por manifestantes, que estariam atrasando minha saída, perturbando meu dia. O que eu, que não posso mudar essa situação, tenho a ver com isso?
Também não acho certa a resposta da Yeda, vejam bem. Chamar professor de torturador não pode, nem em desabafo descontrolado. De qualquer forma, não espero mais boas reações da parte dela.
Muito menos concordo com a ação da Brigada, que sempre se mostra nervosa para esse tipo de situação. Não estranho no entanto.

O poder consome as idéias da gente, eu acho. Com ações como essa, a luta dos professores se perde num mar de questionamentos. No fim, se perde a razão e a discussão fica esquecida. O que entra em pauta é o comportamento dos lados envolvidos, não a situação da educação no Estado.

Afinal, o que é mais importante?
Mostrar que temos o poder de reclamar da governadora? Mostrar que uma classe unida pode perturbar a vida da Yeda? Mostrar para a população que existe corrupção no Piratini? Mostrar para o Cpers que tem mais poder? Mostrar que está brava? Mostrar que está certo ou errado?

Que tipo de decisão se quer tomar?

Vai dia, vem dia. Vai protesto, vem protesto e eu não vejo nada se resolvendo. Só vejo discussões federais sobre cotas, Enem, ProUni, inclusão, democratização, melhoria.
Nada é falado, nada é discutido, nada é democrático. Ou andam distraindo a minha atenção, ou eu não sei mais nada mesmo.

Nos deixam esquecer, todos os dias, que temos o poder de colocar as pessoas no poder. Como não se ensina isso, é impossível concordar com o que acontece depois.

Não desgosto de política, simplesmente cansei desse circo besta.
Até porque isso, pra mim, não é política.
É, no máximo, politicagem.

E eu aqui, inocente e boba, tão feliz com minha cordinha do crachá...
Se bem que eu nem queria ser eles mesmo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mudanças

O título não poderia ser mais preciso e óbvio. Não tenho um porquê sequer para enrolar nessa hora. É disso que quero falar, sobre tudo o que vem mudando ao redor. Nada melhor do que ser objetiva portanto.

"Teu blog é muito bom, mas é desatualizado", me disse meu pai. Grande observador.
Essa página permanece inalterada há tempos. Não consigo me concentrar para escrever aqui. A vida parece corrida, mas é muito mais por falta de organização. Nunca fui a pessoa mais da arrumação que eu conheço. Não sei sentar para estudar em uma mesa silenciosa, não sei dormir mais cedo porque sei que tenho que acordar antes para cumprir com as tarefas, não sei várias coisas que poderiam facilitar essa questão.
Sei planejar o dia seguinte, com o que tenho, com o que sei que vou fazer desordenadamente. Planejo o dia contando com os erros, o que já é um grande começo.
Mas faço a maioria do que tenho programado de véspera. Sofro por semanas pensando no que tenho para daqui a pouco e, quando vejo, lá está o grande dia. E lá estou eu correndo para acabar e ficar do jeito que eu imaginei nas longas horas de sofrimento antecipado.
"Tu tem mais sorte que juízo", me diz minha mãe. Grande entendedora.
No fim dá tudo certo, isso não muda.

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Saímos do apartamento por onde moramos por sete longos anos. Viemos para uma casa, a duas quadras do endereço antigo.
Foi triste encaixotar tudo. Mais triste porque eu fiz isso nos dois dias anteriores e acumulei sete anos em sacolas espalhadas pelos cantos da casa.
Chorei um pouco, em algum desses cantos. Não tanto pela mudança, por sair de lá, mas pelo vazio. Por pensar em como cresci ali dentro.
Foi uma época de grandes decisões e acontecimentos. Ali chorei a maior perda da vida, logo na chegada, me formei no colégio, vi meus grandes amigos se distanciando, namorei a distância, acabei, fiz 18 anos, aprendi a dirigir, escolhi uma profissão, uma universidade, arranjei um estágio, novas responsabilidades, um novo namorado.
É incrível como sete anos conseguem nos mudar quando fazem parte de um período como esse. As grandes escolhas que eu fiz enquanto morava lá marcaram muito mais do que qualquer acontecimento que vivi ali. Nada demais, inclusive. Tudo cotidiano.

Todo o cotidiano, embora rotineiro, é marcado por mudanças que, às vezes, nem percebemos. E quando eu vi, tinha uma nova casa. Dessas de cores novas, quentes, com sacada branca.
É diferente não ter cinco andares para subir a fim de chegar em casa. É simples!
As caixas, aos poucos, vão sumindo e os objetos estão ganhando seu espaço. Parece que tudo pertencia a esse lugar antes, mesmo que muito não tenha mudado.
Tem até cara de casa essa nova casa. Cara de nossa casa.

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E o mundo segue girando. A política finge mudar para nos agradar, mas a gente sabe que continua a mesma coisa. O Twitter tem cada vez mais seguidores tentando parecer politizados, mas a gente sabe que é só moda. O trânsito continua parado, a violência crescendo, a vida seguindo. Ontem mesmo, uma criança caiu do quinto andar e, dessa vez, a vida do país continuou. Não houve tanto abalo. A gente se acostuma.

Foi numa aula de quinta-feira que eu soube da morte do Michael Jackson. Eis uma notícia que mudou tudo, até a edição dos jornais daquela noite. Mudou, inclusive, a opinião da maioria que passou a chamá-lo de gênio e deixou de acusá-lo de abuso infantil.
A tragédia muda o olhar do mundo. A morte transforma a imagem do que se foi.
Mas bastava um elogio em vida para mudar a forma de agir e se portar diante de um mundo tão observador.
Tenho a impressão de que o necessário muda tarde demais.

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Contratei o serviço de uma TV a cabo porque cansei da programação aberta. Descobri que não é mais como nos tempos em que meu tio pagava por isso. Tudo diferente.
Deixei muito tempo passar e me perdi.
Ainda assim, não consigo comer tomate cru. Me agonia. Estou aprendendo a gostar de pimentão, mas não contei pra quase ninguém, não quero criar expectativas.
Também continuo não gostando de esperar. Vou trocar de estágio e há dias espero para começar. Chego a estar pesada de tanta angústia.
Agora mesmo, comecei a escrever para passar o tempo enquanto esperava por alguém.
Irritante.


Embora esse texto tenha uma carga muito pessoal, o que tento evitar na hora de escrever aqui, mudar é tão inevitável quanto minha falta de tempo para me dedicar a atualizações.
Tinha três textos prontos na cabeça e perdi a hora, coloquei todos em uma gaveta da memória e não escrevi. Agora não sei por onde começar a procurar.
Ando perdida com tanta novidade. Não acompanho essa velocidade.
Até parece que as mudanças vêm com acelerador de tempo. Quando eu vejo, passou a semana.

De qualquer maneira, não sei como seria se não fosse assim.
Acho que estou me acostumando a não me acostumar.
Acho e só. Daqui a pouco já mudo de opinião.

São essas voltas que o mundo dá, sabe?